Com uma velocidade cada vez maior, vejo que organizações não manufatureiras estão abraçando os conceitos Lean.  Algumas devido à exigência da matriz lá fora, outras devido à exigência do cliente, outras simplesmente porque perceberam que não havia outra alternativa para a sobrevivência, Lean seria a última tentativa para escapar do fim.

Foi assim, devido à falta de alternativas, que o segundo maior banco de investimentos dos Estados Unidos iniciou sua jornada para então economizar milhões de dólares.   Através de técnicas do trabalho padronizado, eles alteraram a sequência de aprovação pelos agentes hipotecários.  Eles não mais perdiam precioso tempo revisando repetidamente petições ainda incompletas.

Ou então como aconteceu com a universidade de Harvard, que conseguiu melhorar o atendimento pediátrico de seu hospital escola através de técnicas como setup rápido.

Há também aquela escola de surf em San Diego que teve seu faturamento aumentado em 85% através dos Kaizens  implementados pelos próprios instrutores de surf.   Aliás, surfistas são bem amigáveis, mas no tocante ao Lean, é seguramente o grupo mais relutante com que trabalhei.  Talvez eles tenham dificuldades com conceitos que implicam em rigidez e disciplina.

Mas uma vez que os surfistas se convenceram dos benefícios da abordagem Lean, eles próprios iniciaram passos para melhorar a escola, ou melhor, para salvar a escola da falência.  Aqui estão algumas das iniciativas:

  • Implementaram a gestão visual, onde os estudantes se guiavam pela cor dos cabides para acharem mais rapidamente seus uniformes.
  • Implementaram a qualidade embutida, onde os estudantes se auto-checavam durante os exercícios de se posicionarem de pé nas pranchas. Não mais necessitavam do instrutor para esta longa etapa.
  • Implementaram Poka-Yoke, evitando que pranchas se danificassem no rack de transporte até a praia. Inclinaram o rack de tal forma que só existisse uma forma de acondicionar as pranchas para o transporte.
  • Implementaram o nivelamento dos estudantes, evitando que fossem agendadas muitas crianças mais novas em uma mesma classe. O risco de uma classe deste tipo é que aumenta demasiadamente o tempo de instrução individual.
  • Adotaram a visão de constante eliminação de desperdício e aumento de valor agregado, a ponto dos instrutores – que começaram a perceber mais ociosidade devido aos Kaizens – se dispuseram a usar aquele tempo para consertar pranchas danificadas (aumentando assim a capacidade) bem como a sair para distribuir panfletos e cupons de desconto pela praia (aumentando assim a demanda).

Seria muito difícil conseguir elencar toda a gama de técnicas que esta escola implementou.  Mas evidenciou que não há limites de onde se possa aplicar o Lean. Qualquer empresa que precise diminuir seus custos, aumentar sua qualidade, melhorar sua entrega e serviços, certamente se beneficiará desta metodologia.

sammySammy Obara
Sammy aprendeu e implementou o Sistema de Produção Toyota (TPS) nas instalações da Toyota no Japão, Brasil, Venezuela e nos Estados Unidos. Expert em Gestão de Tecnologia, ele também é membro do corpo docente do Lean Institute e instrutor de Gestão de Estratégia Global no “California Community College”. Ele é palestrante convidado para aulas de pós-graduação na Universidade de Stanford e San Diego State University, e tem sido um orador em conferências patrocinadas pela American Production and Inventory Control Society, pela  Association for Productivity and Quality (APQ), e pela  American Society for Quality (ASQ). Ele atualmente auxilia empresas na implementação do Lean através do Honsha.org

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